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Filme "Corra!" e a escravidão moderna

Imagem: Google
Essa semana eu assisti um filme extremamente f*da e que me fez refletir sobre muitas coisas, principalmente suas mensagens escondidas e explícitas sobre racismo e uma nova visão de uma escravidão (da raça negra) moderna. É isso aí, eu estou falando do mais novo suspense/thriller, Corra! 

E sim, talvez esse post contenha mini spoilers, sorry.

Antes, vamos dar um cenário para o que vamos falar aqui; um resumo da história. O filme narra um fim de semana da vida de Chris, um cara negro, que depois de cinco meses de namoro chegou aquela fase que ele precisa conhecer os pais de sua namorada, Rose (garota branca). Mas assim que chega na casa da família, ele começa a notar que os funcionários são apenas negros e também possuem um comportamento super estranho, como se fossem robôs. História vem, história vai e no decorrer do final de semana, Chris descobre coisas perturbadoras, tipo, demais. O trailer você pode conferir aí em cima.

Mas vamos falar sobre as mensagens mostradas neste filme que me fizeram pensar bastante. Começamos pelos "brancos desconstruídos". Uma das cenas iniciais mostra a Rose defendendo o Chris de um policial racista e até aí eu pensei "ok", mas conforme a trama vai se desenvolvendo, eu acabei ficando um pouco incomodado com o fato do falso militarismo negro dela, principalmente com algumas frases como "meu pai não é racista, ele votaria no Obama novamente" ou "Argh, eles são tão brancos". Nisso a gente já pode até falar daquele famoso tipo de racista que diz "eu não sou racista, tenho até amigos negros", que é o caso do pai de Rose (um neurocirurgião) e de seu irmão (estudante de medicina) que mesmo possuindo funcionários negros, insistem em esconder o seu racismo com aquele famoso discurso de admirar uma celebridade negra, que convenhamos, a pessoa nem convive com ela, por isso é tão fácil se assumir não-racista já que não convive com um outro negro, além daquele que lhe serve. 

Outra coisa que precisamos comentar é o famoso esteriótipo das pessoas pretas, principalmente o esteriótipo que cai em cima de um homem negro. Não sei se todos estão à par disso, mas nós como negros sofremos um certo esteriótipo de que todos somos musculosos, fortes, possuímos uma genitália enorme, somos os melhores na cama e por aí vai. E no filme, esse esteriótipo é bastante reforçado em uma das cenas com os "parentes" de Rose quando conhecem o Chris. Assumindo que por ele ser negro ele é ágil, bom em esportes (porque fulano de tal é famoso no golfe), forte, perfeito para um escravo sexual e etc. Basicamente, o diretor e roteirista Jordan Peele trouxe o nosso cenário atual na sociedade, que mesmo afirmando que não são racistas, ainda se prendem à esse famoso esteriótipo do negro que nasceu para curtir um hip hop, para trabalhos pesados que exigem muito de sua forma física, do negro que nasceu para ser aquele amante na cama e tudo isso apenas associado à sua cor de pele. E sim, isso é um cenário atual. Eu, mesmo sendo um negro de pele clara, ainda escuto gente me colocando em papéis que eles acreditam que foram encaminhados para mim por eu ter nascido negro (principalmente a questão de hip hop e samba).
Imagem: Google
Tá, mas Caio porque o filme o é um escravidão moderna? Eu não quero dar spoilers mas ao final do filme vocês vão entender o porque do comportamento estranho dos funcionários e dos atores negros presentes que contracenam com os brancos. Também entenderão o porque os brancos estão tratando os negros de uma forma tão estereotipada e estranha. Mas já para adiantar o entendimento de vocês, tudo não se passa de um jogo de mente, onde eles conseguem remover seu consciente para você ser o escravo (do que eles quiserem) deles. Uma nova escravidão. Em uma das cenas (spoilers) é possível ver um leilão de um personagem negro, o que nos leva de volta à aquela aulinha de história onde os negros escravos vindo da África eram leiloados à seus futuros senhores. Mas o filme não mostra algo tão forte quanto era naquela época; podemos chamar isso de um leilão mais humanizado e moderno (mesmo não sendo humanizado, porque né, é um leilão de uma pessoa).

Essa escravidão moderna mostrada no filme, consegue ser pior (talvez) do que a escravidão que aconteceu. Porque nesta moderna, os escravos não são donos nem da própria mente. - Vitor (amigo meu).

Enfim, o filme traz um cenário atual misturado com ciência e um toque de ficção pra retratar um pouco do racismo escondido nas ações e falas dos brancos desconstruídos. Uma forma de descolonização do nosso povo em pleno século XXI, então sim, eu super recomendo à todos essa filosofia de filme. Vale a pena!!

E você, já assistiu? Quer assistir? Comente aí embaixo.

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