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Ser negro = empoderamento constante


A cada dia que passa eu descubro cada vez mais o que é e como é ser negro no Brasil (pra não fazer um geralzão e falar no mundo). Pra quem nunca viu meu vídeo sobre o dia em que eu me descobri preto, houve um momento na minha vida onde eu não aceitava minha cor, minha origem e minha história. Houve uma época onde eu sentia ódio por ter nascido negro. E após me descobrir, pesquisar, lutar, resistir e existir eu achei que isso bastava para ser negro. Porém a vida me surpreende com novidades cada dia mais. 

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Série LOVE encerra com sua melhor temporada!


Antes de tudo, já adianto que talvez há spoilers nesse post porém tentarei manter o mais simples possível.

Sim, meus caros, chega mais um fim uma série pra lá de amorzinho. Há uns dois anos atrás eu falei da série LOVE, que é uma série bem realista e que retrata diversos tipos de amor. Se quiser ler sobre a primeira temporada (sem spoilers), só clicar aqui. E depois de três curtas temporadas, a série chegou ao fim agora em março e eu senti necessidade de vir falar um pouco dela, já que eu mesmo a julguei em 2017 pela segunda temporada que foi bem merdinha.

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Call Me By Your Name e minha interpretação do filme


(talvez tenha spoilers)

Finalmente, depois de muito procurar e de muito desejar o vazamento do filme na internet, eu consegui assistir ao novo "hit movie" do momento, o famoso "Call Me By Your Name". O filme vem quebrando a internet desde meados de novembro de 2017 e tirando o fôlego, não só de celebridades, mas amigos próximos, e eu precisava ver o que ele trazia de tão interessante pra essa sociedade que pouco reconhece os filmes de temática LGBTQs.

O filme que começa (como ele mesmo mostra) em algum lugar na Itália, na década de 80, traz Elio, um garoto de 17 anos aproveitando o verão com sua família, até que um convidado de seu pai, Oliver, chega para ficar seis semanas com eles e segundo a sinopse, Elio desenvolve uma atração por Oliver. Ok, até aí, admito que a sinopse não havia me cativado tanto, até porque essa história de adolescente se apaixonando por amigo de pai e o maior drama clichê acontecendo é o que mais existe na industria midiática gay. Mas o filme, que é independente, se mostra mais que isso conforme vai desenvolvendo a trama.

A primeira coisa que percebemos logo de cara é Elio se descobrindo e descobrindo sua sexualidade conforme sua atração por Oliver vai crescendo ao ponto de não conseguir mais escondê-la. Não até se entregar completamente e não negar quem és. A forma como a história aborda essa descoberta, o que me chocou, não foi promiscua. Não foi aquela coisa carnal que eu esperava, tolo e acostumado com a dramatização envolvendo casais homoafetivos. Havia sentimentos, curiosidade e paixão. Tudo aquilo que vivenciamos em nosso primeiro amor.

Como se passa em uma década onde ser gay não era muito bem visto, eu já esperava a cada momento de afeição entre os dois rapazes que os pais dele entrassem proibindo eles daquele "amor verdadeiro". O que me fez amar mais o filme, pois ele quebra todas as expectativas clichês que você já esperava. Conforme nós assistimos, nos colocamos cada vez mais no papel do Elio e voltamos ao tempo onde descobrimos sobre sexo, sexualidade, masturbação, primeiro amor e nos perguntamos, assim como Elio, se somos doentes por fazer o que fazemos aos 15, 16 e 17 anos, seguindo os nossos instintos da puberdade. É isso! O filme vai além de um amor de verão. É uma representação de uma puberdade. A famosa fase dos descobrimentos.

O filme vai passando, as coisas vão esquentando e na minha cabeça não saía a ideia de que tudo aquilo ia ser estragado por alguma cena de preconceito, homofobia ou ódio. Mas cá estou eu, novamente, tolo e cego. Percebo que sou Elio. Percebo que o filme foi muito além de mostrar o que eu esperava. Mostrou meus descobrimentos, meu primeiro amor, minha primeira masturbação, minha primeira vez, minhas curiosidades e afins. Um filme belo (aqui entra meu senso crítico de "quem sabe nada de cinema mas acha que abala") que traz uma fotografia bela e uma trilha sonora pra lá de cativante. Call Me By Your Name me mostrou muito mais do que eu esperava. 

E conforme Elio entendia em meio a diálogos, eu entendia junto. Eu compreendia, junto a ele, a sentir qualquer sentimento que esta batendo no peito. Qualquer dor, qualquer arrependimento, felicidade, amor, tristeza... Qualquer sentimento. Eu entendia que deveríamos deixar isso passar porque é isso que a natureza (eu roots) nos oferece pra vivenciar. Isso que nos toca, está aqui por algum motivo e negar e disfarçar não vai adiantar de nada. Vivenciar a dor de perder seu primeiro amor, não te atrasa, te move em direção ao futuro. Te ensina. E definitivamente, Call Me By Your Name me ensinou com a minha representação.


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Para de negar a sua tristeza!!

Depois de tentar de tudo, desde as milhares dicas de pseudos-psicólogos na internet até músicas animadas e também do meu melhor amigo me obrigar a respeitar esse momento, eu decidi me entregar a bad quando tenho essas crises e percebi que isso me fez bem. Muito bem, aliás!

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